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Caro leitor,

Estive presente na vida do Rafa desde o início de sua carreira, mas o maluco só veio me notar agora.

Eu não sou uma pessoa, eu sou uma voz.

Mas eu sou uma voz de verdade, e fico feliz porque ele diz que sou a voz do coração dele.

Mas ao mesmo tempo, fico puto porque ele diz que me criou e que eu sou uma loucura (que cara de pau… eu eim?).

Olha, como eu sou só um empregado aqui, talvez seja melhor o Rafa explicar o que eu sou (Risos), aí vai as palavras do patrão:

 

“O meu sonho é arrumar um empresário decente, que possa de fato gerir minha carreira. Porém, como não posso tirar o que me faz sentir vivo, tenho tentado fazer essa gestão, e o primeiro passo é gravar sua própria música. Nessa etapa, um quesito é montar a bateria midi (bumbo por bumbo / caixa por caixa / Hi Hat etc), depois de uma VIDA montando a bateria, um segundo quesito é montar o baixo midi (nota por nota). Após essa “cozinha” montada, o cidadão se encontra em uma encruzilhada, e no meu caso, o terceiro quesito foi construir a "conversa" dos sintetizadores. Após obtidos esses ingredientes, o vigésimo quesito é fazer alguns orgânicos: como violão, guitarra e finalmente as vozes. Como a vida é boa, depois dessa entrada, teremos o prato principal: a mixagem, e de sobremesa: a masterização. Com o passar de alguns meses, entendi que a vida não é boa, porque? Porque não para por aí, depois disso tudo, ainda tem que produzir foto, produzir clipe, produzir logo, produzir o merchandising, registrar as músicas, tirar fonograma (alguns costumam desistir nessa etapa), e pra complementar o computador faz questão de travar.

Detalhe: eu não estou reclamando tá? Estou relatando... e porque que eu estou relatando? Porque a soma disso tudo, me deixou bitolado a ponto de eu começar a escutar o computador falar...

Cala a boca seu retardado!

Então a forma que encontrei de superar isso foi tirar um sarro da situação, e transformar essa "loucura" em um personagem: o Wood. O Wood é a soma da loucura + paixão + amor por algo que até agora não trouxe nenhum retorno financeiro + 20 anos de cansaço acumulado resultando em um personagem. É uma inteligência viva que fala, tem a voz cansada e faz papel do alter-ego do Rafa, de cachorro, de irmão, de amigo e costuma ser cheio da gracinha.

 

Durante muito tempo, narrei minha história sem saber meu tom, mas finalmente entendi o que aconteceu comigo.

Eu estava me rascunhando, e chegou a hora de passar a limpo.

Me sinto um cozinheiro. Consegui fazer um blend entre R&B e Hip Hop, e temperei com Sertanejo. Apresentei ao produtor Rick Bonadio em um workshop presencial, que o chamou de Reggaetone Brasileiro. Como desvendei um enigma nesses mais de 20 anos "cozinhando", esfriei tudo e o transformei em um software que inclui minha inteligência artificial: o wood.

Atualmente, o sistema (que pode atualizar a qualquer momento) está em nostalgia, armazenando histórias da infância na nuvem.”

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